Arco de Almedina

Parecer de Indrajit Garai (*) contra as touradas

Foto e texto de Indrajit Garai

O Artigo 4.º da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia proíbe a tortura e o tratamento desumano. No entanto, no território europeu, todos os anos, várias centenas de milhares de touros são torturados e mortos de forma desumana, à vista de todos — em arenas e na televisão. Entre Agosto de 2023 e Setembro de 2025, enviei a mensagem, abaixo transcrita, a 321 membros do Parlamento Espanhol, individualmente.

«O senhor é um honorável representante dos cidadãos Espanhóis. Com o devido respeito por Vossa Excelência e pelo seu país, por favor, permita-me fazer-lhe as seguintes perguntas, como um ser humano para outro ser humano:

1) O senhor considera que o derramamento de sangue em público — independentemente de quem vem o sangue ou por que razão — é algo não- violento e legítimo?

2) Será que uma disposição legal que permite o derramamento de sangue em público cumpre sua missão básica de manter a lei e a ordem evitando a violência?

3) O que pode tal derramamento de sangue em público proporcionar às crianças?»

Em 7 de Outubro de 2025, os deputados do Parlamento Espanhol — com 169 votos contra, 57 a favor e 118 abstenções — rejeitaram a Iniciativa Legislativa Popular para revogar o estatuto da tauromaquia como património cultural da Espanha. Em 14 de Fevereiro de 2026, as crianças de todo o mundo continuam a assistir a touradas, tanto nas arenas como na televisão.

Conheço pelo menos um adulto que, quando criança, foi forçado pelos seus pais a assistir a touradas; ele ainda vive esse trauma. Qualquer pessoa que esteja diante das arenas de Madrid, San Sebastián, Sevilla, Nîmes ou Arles verá que os pais dele não são os únicos espectadores dessas práticas públicas cruéis cometidas contra animais não-humanos, algo que frequentemente não poderiam assistir legalmente nos seus próprios países.  Várias operadoras de turismo tauromáquico que oferecem pacotes de luxo com tudo incluído, usam a paixão de artistas mundialmente famosos pelas touradas, para atrair aficionados internacionais a esta gloriosa carnificina.

Em 2025, também enviei esta mensagem ao primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, ao ministro da Cultura, Ernest Urtasun, e à ministra da Economia, Yolanda Díaz; à presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen; e a 87 eurodeputados dos Estados-membros da EU. 

A tourada é um divertimento público baseado no derramamento de sangue de seres vivos. Os Touros simbolizam todos os animais torturados para entretenimento humano. Esta tortura acontece diante dos nossos olhos — nas arenas e na televisão. Torturar um touro rouba a dignidade do animal e também a nossa. Enquanto a tecnologia de Organ-on-a-chip pode acabar com os testes de laboratório em animais não-humanos, nenhum avanço tecnológico poderá parar as touradas; apenas a escolha consciente dos espectadores pode fazê-lo, suprimindo a demanda e secando os recursos financeiros. Os lugares mais privilegiados das arenas não são baratos. Em todas as cidades tauromáquicas, a tourada é sustentada principalmente por elites sanguinárias, muitas vezes provenientes de países onde a crueldade contra animais não-humanos é considerada crime grave. O leitor pode descobrir que o seu vizinho viaja para fora do país para assistir a touradas. Embora a tourada perdure em nome da arte, da cultura e da tradição, a verdadeira razão é a razão económica. E existem caminhos económicos alternativos.

Se são sensíveis à tortura de touros nas touradas, convido-vos a divulgar esta mensagem. O vosso esforço ajudará a libertar estes animais da condição difícil a que são forçados.

A vossa atitude pode não garantir resultados, mas a vossa intenção conta.

Obrigado pelo vosso tempo.

Atenciosamente,

Indrajit GARAI

in https://booksbyindrajitgarai.wordpress.com/bullfighting/

(*) Indrajit Garai, hoje cidadão americano, nasceu na Índia em 1965. Após concluir a graduação no Indian Institute of Technology e a pós-graduação em Harvard, trabalhou como consultor de estratégia corporativa e banqueiro de investimentos nos EUA, na Espanha e na Inglaterra, ao mesmo tempo em que se dedicou paralelamente a estudos de Ayurveda (a antiga medicina indiana) e yoga terapêutico para o controle do stresse. Em 2001, após o nascimento da sua filha, mudou-se para Paris, onde abriu um consultório particular especializado em controle do stresse e publicou sete livros acerca desta matéria — cinco em Francês e dois em Inglês.

Indrajit Garai é um autor independente que publica as suas próprias obras e pretende continuar a fazê-lo até o fim da sua carreira literária. As suas obras de ficção, de tom sóbrio, concentram-se exclusivamente em temas contemporâneos como justiça social e tratamento humanitário dos animais não-humanos. Para saber mais sobre a sua filosofia de trabalho e os temas dos seus livros, pode visitar-se seu site no WordPress; lá, podemos também encontrar uma página dedicada ao seu posicionamento contra as touradas, referindo as diversas iniciativas independentes que  empreendeu em prol dos Touros e contra as touradas.

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Author’s stance against bullfighting

Text written by Indrajit Garai

Article 4 of the EU’s charter on fundamental rights prohibits torture and inhumane treatment. Yet on the EU’s soil, every year, several hundred thousand bulls are tortured and inhumanely killed in full public view—in arenas and on television. Between August 2023 and September 2025, I sent this message below to 321 members of the Spanish Congress.

 «You are an honorable representative of Spain’s citizens. With my due respect for you and for your country, please allow me to ask you the following questions, as a fellow human being:

1) Do you consider bloodshed in full public view, irrespective of who the blood comes from and for what reason, nonviolent and lawful?

2) Does a legal framework that permits public bloodshed fulfill its basic mission of maintaining law and order by preventing violence?

3) What can such public bloodshed do for children? » 

On 7 October 2025, the Spanish congressional deputies—with 169 votes against, 57 for, and 118 abstentions—rejected the Popular Legislative Initiative to remove bullfight’s national-monument status. As of 14 February 2026, world’s children continue to watch bullfights, both in arenas and on television.

I know of at least one adult who, as a child, was forced by his parents to watch bullfights; he still lives his trauma. Anyone who stands in front of the arenas of Madrid, San Sebastian, Sevilla, Nimes, Arles will see his parents aren’t the only spectators of these public shows of cruelty committed on animals, which they can’t often legally attend in their home countries. Several taurine-tour operators, which offer all-inclusive luxury packages, use some world-famous artists’ love for bullfights to lure international aficionados into this glorious gore.

In 2025, I also sent this message to Spain’s Prime Minister, Pedro Sanchez, culture minister, Ernest Urtasun, and economy minister, Yolanda Diaz; to European Commission’s president, Ursula Von Der Leyen; and to 87 Euro deputies of the Union’s member states.

Bullfighting is a public show of bloodshed for pleasure. The fighting bulls symbolize all animals tortured for human entertainment. This torture happens before our eyes—in arenas and on television. Torturing a bull steals the animal’s dignity and ours. Whereas the organ-on-a-chip technology can stop animal-based laboratory testing, no technological advance will stop bullfights; only consumers’ conscious choice can, by extinguishing demand and by drying up money supply. The arenas’ prime seats don’t come cheap. In all taurine cities, bullfighting is sustained mostly by blood-thirsty elites, often from countries where cruelty committed on animals is a felony. You may discover that your next-door neighbor travels abroad to attend bullfights. Although bullfighting continues in the name of art, culture, and tradition, the real reason is economic. And alternate economic routes do exist

If you’re sensitive to the fighting bulls’ plight, I invite you to circulate this message. Your effort will help liberate these bulls from their forced predicament.

Your act may not guarantee result, but your intention counts.

Thank you for your time.

Regards,

Indrajit GARAI 

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