
Não é difícil concluir que em qualquer canto de Portugal, existe na nossa toponímia,
nomes de ruas, de avenidas ou largos que pouco ou nada dizem aos cidadãos de hoje.
Nas nossas cidades, há nomes de ruas que são centenários. Basta pesquisar nomes de
ruas e qualquer cidadão com seis ou menos dezenas de anos diz: “o nome dessa rua,
dessa avenida, desse largo, já existia no meu tempo de criança”. Assim é, na
verdade.
Cabe às Autarquias e às Juntas de freguesia pensar e resolver este problema da
toponímia local. Se nas cidades este problema não é de todo enfadonho, analisando a
toponímia das freguesias ao redor daquelas localidades, é de bradar aos céus.
Há nomes de ruas nas freguesias que passaram do lugar da Eira para a Rua da Eira; do
lugar da Guita para a Rua da Guita; do lugar da Pocinha para Rua da Pocinha e muitos
mais se podiam mencionar.
Também se sabe que não é tarefa fácil para as Autarquias ou Juntas de freguesia
meter bedelho neste imbróglio político malcheiroso. Mas temos gente nas freguesias
que se preocupa com este problema, só que, esbarram nos autarcas das Câmaras, que
apenas apoiam/autorizam nomes sonantes e se possível, nomes de líderes partidários,
porque nomes de pessoas assim, assim, ou de fora do partido, nada se muda.
É evidente que nestes últimos cinquenta anos, não temos tido na vida nacional, nomes
sonantes nem líderes partidários que tenham feito algo onde se pudesse classificar de
“feito nacional”. Teremos dois ou três, cinco ou seis, ou mesmo dez que mereciam o
nome numa rua? Talvez. Admito que sim. Mas a tê-los, seria necessário aprofundar
bem os seus comportamentos perante a sociedade.
Claro que, se fosse normal colocar nas ruas de cidades, de vilas ou de freguesias-à-
volta, nomes de pessoas criminosas, de oportunistas, de vigaristas ou rapaces, era
tudo muito fácil, pois é o que mais temos entre nós. Mas não é isso que se pretende:
pretende-se ruas com nomes de gente útil à sociedade, lutadores pelo bem do país
ou do bem-comum, de gente que soube, honradamente, servir o povo.
Sou de opinião, de que as Autarquias locais portuguesas deveriam colocar em todas as
freguesias do país – numa rua, avenida ou largo – o nome da cidade de Olivença,
porque Olivença é Portugal: faz parte das terras alentejanas e foi-nos usurpada. Os
Oliventinos merecem-no e a comunidade tem cerca de quinze mil pessoas.
Zeca Afonso, cantou Grândola Vila Morena e não era alentejano. A terceira e a quarta
República desconhecem Olivença e, até Fernando Farinha, Vitorino Salomé e Paco
Bandeira, que (eram) são alentejanos, nunca cantaram “Olivença é Portugal”.
Olivença é de Portugal desde sempre, 1297, e do tempo dos Reis D. Dinis e D.
Fernando IV de Castela, que em 1801 foi usurpada a Portugal por assinatura imposta a
plenipotenciário português e que, mesmo assim, teria de ser ratificado pela França, o
que nunca veio a acontecer, porque os dirigentes franceses de então conheciam a
usurpação e nunca aceitaram esse “tratado de Badajoz” em favor da Espanha. Razão
porque Portugal nunca reconheceu a rapace invasão administrativa espanhola.
Os políticos portugueses da 3ª República e desta 4ª República, imposta com a
“Geringonça” de António Costa, nunca pensaram, tão-pouco, em Olivença e quem
sabe(?) talvez desconheçam que Olivença é parte do Alentejo.
Salazar, o político ditador que nada desperdiçava e que no topo do seu reinado já era
apoquentado pelos americanos para abandonar e dar a independência a Angola e a
Moçambique, em 1939 teve quase nas mãos a devolução de Olivença, mas a II guerra
mundial tudo travou. E o grande sonho e a promessa do general Humberto Delgado, o
“homem sem medo”, afirmou que se fosse eleito presidente da República, em 1958,
traria de volta Olivença “porque é parte das terras alentejanas”, afirmava.
Depois do 25 de Abril de 1974, tivemos já oito presidentes da República e muitos mais
Primeiros Ministros. Desconheço se estes servidores da Nação tiveram contactos com
Espanha para a resolução de Olivença. Entendo que estes contactos deveriam ser
feitos pelos ministros dos negócios estrangeiros ou até por altas patentes – que
representariam o presidente da República – de militares portugueses.
Ainda é cedo, mas creio bem que o presidente António José Seguro vai pelo mesmo
caminho: “desconhece” Olivença; é imbróglio Olivença; “não convém” mexer com a
Espanha e “temos de ser humildes”, pois a Espanha dá “um sinal da solidez da relação
bilateral e da convergência política entre os dois (nossos) países.
Com políticos de patriotismo débil, o povo, deve impor ás Autarquias Locais que em
cada freguesia de Portugal haja uma placa que diga “Rua, Avenida ou Largo de
Olivença”.
(O autor não segue o acordo ortográfico de 1990).