
Nenhum pai devia entregar o filho às mãos da máfia tauromáquica.
Também é verdade que nenhum pai devia entregar o filho ao Além, onde está agora, e já sabe todo o mal que praticou enquanto foi vivo.
O forcado, poderia ter morrido, por opção, como tantos outros, colhido por um Touro, numa arena, enquanto este, legitimamente, se defendia do seu carrasco. Porém, o destino não quis que a morte lhe viesse das arenas de tortura.
Ser forcado não é algo que se louve, por pertencer ao que o homem tem de mais hediondo: a desempatia e um instinto perverso.
Lamenta-se a morte do forcado, mas não se lamenta o que ele foi.
É isto que venho aqui lamentar.
É que o que ele foi e fez em vida não lhe dá direito a um descanso no Paraíso, pelo menos a curto prazo.
Não, não foi um herói, nem foi um ser de luz. Era um forcado, e os forcados não são seres de luz. A morte colheu-o, noutra circunstância, infelizmente, como colhe milhares de outros jovens, que nunca fizeram mal à Humanidade, nem aos nossos irmãos planetários, como são os Touros.
O que eu quero dizer fundamentalmente, é que todos aqueles que passam a sua vida a torturar seres vivos, podem morrer em qualquer idade. Se for nas arenas, a morte é aplaudida alucinadamente. Se for por outro motivo, é chorada.
Não vou dizer que choro a morte de um forcado que não morreu na arena. Não choro, mas lamento, e como lamento, que ele tivesse partido e não possa agora descansar em paz, porque a sua vida foi tirar a paz a seres sencientes, dignos, também criaturas de Deus. Como irá Deus receber quem maltratou barbaramente Touros moribundos, suas criaturas das mais inocentes, indefesas e inofensivas?
Pensem nisto, e os tauricidas escusam, como já aconteceu numa publicação, hoje, de me chamar de Vaca, porque tenho em muito boa conta as Vacas, que são muito mais dignas, mais pacíficas e mais inteligentes do que os que vivem para as torturar, a elas, tirando-lhes os seus bezerros, para os "treinar" barbaramente, até ao dia em que os torturam, também barbaramente, numa arena, para divertir os sádicos.

NOTA sobre a imagem, que recortei da Internet: reparem na expressão do infeliz Touro, já todo cravado de bandarilhas, a sangrar por fora, mas principalmente por dentro, já mais morto do que vivo, e ainda lhe falta o pior: a investida cobarde dos forcados, que apesar de o Touro já estar mais morto do que vivo, é barbaramente “manejado” por oito cobardes, contra um moribundo, e a assistência delira, por não saber que o Touro está ali a sofrer HORRORES.
Isabel A. Ferreira