Arco de Almedina

Carta a um Menino do Líbano

Entre as minhas papeladas, encontrei esta carta escrita no DIA MUNDIAL DA CRIANÇA, do ano de 1984, um trabalho colectivo das turmas do 1º ano, A e N e do 2º ano, B, D e F, da Escola Preparatória de Irene Lisboa (Porto), para a UNICEF.

 

Hoje, as crianças que escreveram esta carta já serão umas senhoras e uns senhores, com certeza, responsáveis por outras crianças.

 

Gostaria de partilhar convosco estas palavras escritas em 1984, que poderiam ser as mesmas de hoje, e o Menino do Líbano, a quem é dedicada a carta, poderá ser qualquer menino do nosso mundo, onde a criança ainda não é considerada um Ser Humano com Direitos.

 

A carta continua tão actual como em 1984.

 

De então para cá, o que mudou? O que se fez para mudar as coisas?...

 

 ***

 

Carta a um Menino do Líbano

 

Menino tão triste

sem nome

sem pais

menino da fome

do frio

da terra

do terror da guerra

Menino do Líbano

sem casa

sem sorte

menino doente

menino da morte

apavorado

gritando de dor

que sofres

que anseias

um pouco de amor.

 

Se jogo à bola

se apanho uma flor

se salto

contente

de ser tão feliz

se olho as estrelas

e sinto a beleza

do céu

e do mar

porque tenho amigos

e sei

o que é amar

também penso em ti

Menino do Líbano

e como é urgente

a guerra acabar.

 

A ti

porque choras

(e podia ser eu)

gostava de dar-te

daquilo que é meu.

 

Mas

eu vou crescer

e no mundo

doente

em que hoje vivemos

prometo lutar

de um modo diferente

a favor da vida

da paz

da justiça

dos meninos perdidos

na escuridão

sem nunca esquecer

que és meu irmão!

 

***

 

Espero que estes meninos que escreveram esta carta em 1984, estejam a cumprir o que aqui prometeram, agora que são adultos responsáveis.

 

Mais do que nunca precisamos de lutar para que TODAS AS CRIANÇAS DO MUNDO sejam amadas e vejam cumpridos os seus mais elementares direitos.

 

Isabel A. Ferreira

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